Estrada estratégica Guarapuava-Matto Grosso

Originalmente os trechos que seguem foram publicados Luiz Cleve no Jornal O Guarapuavano de Guarapuava em 1903, intitulado “Estrada Estratégica Guarapuava-Matto Grosso”.

“As opiniões sobre o traço preferível para levar uma via estratégia ao Matto Grosso são ainda hoje, como sempre foram, muito divididas. Desde 1865, após a invasão praticada pelas hostes de Lopez a idea de ligar a remota província por uma boa via communicação aos centros mais populosos do Brazil foi ganhando terreno, distinguindo-se entre os engenheiros que tratavam do assunto os irmãos Rebouças, Beaurepaire Roban. Pimenta Bueno, Jeronymo Jardim. E de Moraes, e outros; claro está conquanto todos se achassem de accordo sobre a urgência da construção de uma modesta estrada de rodagem ao Matto Grosso, divergissem elles todavia na escolha do traço tendo cada qual o seu plano de estado que melhor lhe parecia. Em 1867 o engenheiro Francisco Tourinho apresentou ao governo um plano de estudos, que o adaptou, encarregando o engenheiro Antônio Rebouças das explorações do traço nelle indicado, trabalhos que por este distinto profissional foram executados com louvável perecia e economia” (p.192).
“De estrada estratégica, porém elle se transformará em breve tempo em um dos mais importantes factores de prosperidade e riquezas das privilegiadas zonas da bacia do grande rio na floresta guayrense, abrindo livre communicação com os vastos, bellos e amenos campos das margens do Iguatemy e Amambahy até a serra Maracujú, tão férteis e de delicioso clima, onde infelizmente reina a mais deplorável anarchia” (p.200).
“Se continuarmos a assistir a este depauperamento de uma das mais ricas zonas da grande Republica, de braços cruzados, deixando de abrir as vias de communicação e de fundar estabelecimentos para a exportação de carnes preparadas aproveitando um dos mais importantes produtos indústria nacional, teremos de ceder a primazia aos nossos vizinhos platinos que desde já, exportam carne salgada, proveniente de gado de Matto Grosso, para o Brazil” (p.201).
“Ainda é tempo de vir em auxilio da importante indústria pastoril das chapadas do sul do Mato Grosso: se porém ficarmos inativos, em menos de um decênio os campo de Maracajú estarão desertos, tendo passado o seu enorme  stock de gado vacum para as invernadas da pátria dos guayerús afim de alimentar os saladeiros e xarqueadas argentinas” (p.201).
[Estrada] "Ela será a grande artéria futura para dar saída aos produtos da indústria pastoril do vizinho Estado [Mato Grosso], que deixará então de ser explorada pelas republicas platinas” (p.202).

REFERÊNCIA
CLEVE, Luiz. “Estrada estratégica Guarapuava – Mato Grosso” In: NASCIMENTO, Domingos. Pela Fronteira. Curytiba: Typografia da República, 1903.


E então os ucranianos chegaram ao Paraná...

A imigração ucraniana no Paraná pode ser observada por três etapas distintas:
A primeira data dos fins do século XIX, quando milhares de ucranianos [...] em consequência da superpopulação agrária, industrialização precária e más condições socioeconômicas, abandonaram suas casas e transferiram-se para outros países, entre os quais o Brasil e, particularmente, o estado do Paraná.
A segunda etapa da imigração ucraniana efetuou-se após a Primeira Guerra Mundial. Os motivos, desta vez, foram, sobretudo políticos. Isto porque a Ucrânia não ficou alheia aos movimentos liberais do século XIX que caracterizaram a Europa. Com isso, grande número de ucranianos optou em buscar novos espaços para viver sua liberdade.
Uma terceira etapa deu-se também por questões políticas após a Segunda Guerra Mundial, na qual se observou também um grande êxodo da população ucraniana para o Paraná.

Adaptado de: BORUSZENKO, Oksana. A imigração ucraniana no Paraná. In: Colonização e Migração. Anais do IX Simpósio Nacional dos professores universitários de história. São Paulo, 1969.



Mas por que os ucranianos escolheram o Brasil?

No fim do século XIX, a política imigratória então adotada no país possuía dois objetivos básicos: fundar colônias nos estados meridionais para criar uma cultura de subsistência e obter mão-de-obra para as fazendas cafeicultoras, especialmente as de São Paulo.
O governo brasileiro assinou contratos com várias companhias de navegação transoceânica. Estas recebiam do governo o capital empatado na viagem com o lucro correspondente, no prazo de vinte dias após o desembarque dos imigrantes na Ilha das Flores, na Baía de Guanabara. Agentes espalhavam pela Europa artigos, livretos e comunicados sobre as condições oferecidas pelo Brasil. Nos países eslavos, tais agentes encontraram campo dos mais propícios para sua atuação, e a propaganda, por vezes, decaía em lamentáveis excessos.
Entre tais agentes, encontrava-se o famoso Gergoletto, de procedência italiana, que em 1893, disfarçado de simples camponês, visitou centenas de aldeias e povoados ucranianos. Apresentava-se ele como Rodolfo de Habsburgo, herdeiro do trono austríaco, que se suicidou em 1889 (Tragédia de Mayerling), mas em cuja morte os camponeses ucranianos não acreditavam, convencidos de que o único filho do imperador Francisco José vivia oculto por razões diversas. O impostor promoveu a propaganda de emigração para o Brasil. Não se limitando a motivos de ordem econômica, aliou-se a certos movimentos de caráter sociopolítico e às tendências da população.
Esse agente desonesto prometia ilimitadas terras férteis, florestas, casas de graça, e gado, cavalos e dinheiro para as despesas iniciais. Então, a partir de 1895, teve início uma verdadeira “saída” de camponeses da Ucrânia para o Brasil, à custa do governo republicano brasileiro.

Adaptado de: BORUSZENKO, Oksana. Os Ucranianos. In: Boletim informativo da casa Romário Martins. 2ª ed. Curitiba, 1981.

A Ucrânia no contexto da 1ª Guerra Mundial e da Revolução Russa

O movimento nacional ucraniano continuou a desenvolver-se até o início da Primeira Guerra Mundial. Quando, em março de 1917, eclodiu na Rússia a revolução que derrubou o governo tzarista, os ucranianos receberam com simpatia aquele movimento liberal e imediatamente formaram um Conselho Central Nacional.
Em julho do mesmo ano, o governo provisório reconheceu a Ucrânia como unidade autônoma dentro do Estado russo. Entretanto, em novembro, a revolução bolchevista depôs o governo provisório ucraniano. Com o colapso do Império Austro-Húngaro em 1918, os ucranianos da Galícia imediatamente proclamaram a independência da República Nacional da Ucrânia Ocidental, abrangendo os territórios habitados no extinto império. Movimentos revolucionários agitavam o país nos fins da Primeira Guerra Mundial e na época do Acordo de Paz.
Em meio a todas estas dificuldades, os nacionalistas ucranianos trabalharam arduamente para restabelecer os alicerces do seu Estado, fundindo os dois governos e proclamando em 2 de janeiro de 1919, em Kiev, a unificação dos dois Estados ucranianos numa só república.
Porém, o governo que proclamou esta união não teve forças suficientes para manter e proteger o Ato da Unificação. E em 1923, os territórios ucranianos já estavam divididos entre URSS e Polônia, o que causou grande êxodo de ucranianos para outros países, incluindo o Brasil.

Adaptado de: BORUSZENKO, Oksana. A imigração ucraniana no Paraná. In: Colonização e Migração. Anais do IX Simpósio Nacional dos professores universitários de história. São Paulo, 1969.

CNPq aprova projeto da Unespar para ensino da História

     Aliar as possibilidades tecnológicas no processo de ensino de História aos alunos da escola básica é o que propõe o projeto de pesquisa da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus Campo Mourão, recém aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A partir da metodologia WebQuest, o proposta visa verificar a viabilidade do recurso na melhoria da qualidade da aprendizagem de alunos do Ensino Médio.
     Segundo o coordenador, professor Fábio André Hahn, o projeto será desenvolvido em etapas. “Em um primeiro momento vamos investigar as condições socioeconômicas e educacionais dos jovens estudantes de quatro escolas públicas das cidades de Campo Mourão, Farol, Araruna e Mamborê, de modo a diagnosticar o perfil dos jovens estudantes, para na sequência aplicar e avaliar a metodologia na melhoria do processo de ensino-aprendizagem nas escolas”, antecipa.
     O trabalho com a metodologia WebQuest é recente no Brasil, mas já vem sendo utilizada há alguns anos em outros países como Espanha e Portugal, onde tem mostrado resultados importantes. Como explica Hahn, por meio da ferramenta, o professor elabora as questões e tarefas a serem solucionadas pelos alunos na pesquisa de fontes, como: livros, artigos, vídeos, sites e demais documentos de informação, sempre supervisionadas e selecionadas pelo mesmo. Inclusive, o Ministério da Educação aponta o método como uma inovação no meio educacional. 
     Uma das motivações para a execução do projeto surgiu a partir da verificação do baixo interesse e da dificuldade da aprendizagem dos alunos no estudo da História. Isso se comprova com o resultado da investigação realizada na região onde o projeto será implementado. “A baixa no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) das escolas é um agravante”, afirma o coordenador. Conforme exemplifica, a média encontrada mais se aproxima do resultado da região norte do Brasil que é 3,4, uma das mais baixas do país. Enquanto que o índice da região sul do Brasil é de 4,1.
     A pesquisa é parte das atividades de investigação realizadas junto ao grupo de pesquisa Cultura e Relações de Poder e vinculadas ao mestrado interdisciplinar Sociedade e Desenvolvimento do campus de Campo Mourão.

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Equipe do projeto em visita ao Colégio Osvaldo Cruz, um dos parceiros nas pesquisas e aplicações.
Pioneirismo 
    Embora a metodologia tenha sido aplicada com sucesso em vários países e em diferentes áreas do conhecimento, Hahn salienta que são poucas as notícias de aplicação do WebQuest em escolas públicas brasileiras.
     A primeira iniciativa deste gênero no campus da Unespar em Campo Mourão foi desenvolvida no subprojeto de História vinculada ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) entre 2012 e 2013. “As primeiras atividades na construção e aplicação de desta metodologia no ensino de História apontaram a necessidade e aprofundamento da proposta e a abrangência da atividade”, salienta o professor coordenador.
     Depois, no ano passado, por meio do Programa Universidade Sem Fronteiras da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), foi iniciado o projeto de extensão “Metodologia WebQuest no ensino de História”. De acordo com o coordenador, este último tem como propósito formar professores mais capacitados no uso dos novos recursos metodológicos em sala de aula. “Nas atividades já desenvolvidas diagnosticamos a necessidade de ampliação da ação investigativa na produção e construção dos materiais didáticos e no desenvolvimento da metodologia WebQuest nas escolas públicas do Paraná”, aponta.

Pibidianos participam da Semana Pedagógica

     A Semana Pedagógica teve início na segunda-feira (03) e se encerra amanhã (07) em vários colégios em Campo Mourão. Os pibidianos do colégio Unidade Polo e Darcy Costa participaram das atividades juntos com seus supervisores.
  Durante a semana os professores se reuniram para estudo e planejamento do ano letivo com palestras e reuniões em grupos, os participantes conhecem a Proposta Pedagógica e o Regimento Escolar, esse espaço também serve para que os profissionais da educação debatam sobre as questões que norteiam a escola e para troca de experiências entre os educadores.
Pibidianos e supervisores na Semana Pedagógica



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XIV ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA



A Seção Estadual do Paraná da Associação Nacional de História – ANPUH/PR, realizará o XIV ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA, de 07 a 10 de outubro de 2014, na Universidade Estadual do Paraná, Câmpus de Campo Mourão/PR.

O Encontro terá como tema central: 1964-2014: 50 anos do Golpe Militar no Brasil.

O objetivo é proporcionar uma reflexão sobre a nossa história recente edivulgar a contribuição da historiografia brasileira para a compreensão desse período histórico, que configura tema candente no cenário público atual.

O evento é voltado para os pesquisadores da área de história, professores universitários, professores da educação básica, alunos de pós-graduação e de graduação.

Na programação está prevista a realização de conferências, mesas redondas, simpósios temáticos para apresentação de trabalhos e minicursos, além de atividades artístico-culturais.

Alunos de graduação poderão inscrever trabalhos nos simpósios sobre Iniciação Científica e sobre o PIBID.

Para a proposição de Simpósios Temáticos e Minicursos, os proponentes deverão ser sócios adimplentes da Anpuh.
Site do evento:
http://www.erh2014.pr.anpuh.org

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Grupo em reunião no Laboratório de Ensino de História.

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Acadêmicos e acadêmicas em reunião para discutir o planejamento de atividades.

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Aplicação das atividades produzidas para um dos colégios participantes.